Por quê estamos preocupados com as pessoas idosas?

A pandemia causada pela Covid-19 traz para o centro da cena as pessoas idosas. Elas representam o grupo mais vulnerável às complicações da doença, inclusive o óbito. Quase 70% delas vivem em países de média e baixa renda. No Brasil, a população idosa tem um papel econômico muito relevante, como chefes de família, como provedores de filhos e netos, como única fonte de renda regular dessas famílias. A grande maioria dessa população depende exclusivamente do Sistema Único de Saúde (SUS) – quanto mais adentramos o interior do país ou as periferias das cidades, maior a proporção de pessoas nessa condição.

 

É de amplo conhecimento que os idosos, e sobretudo aqueles com idade acima de 70 anos, são o grupo de maior risco de desenvolver complicações e de morrer após ser infectado pelo SARSCOV2, o vírus responsável pela COVID-19. Além disso, na maioria dos países onde a COVID-19 se disseminou, como faz agora em nosso país, houve rápida saturação do sistema de saúde, levando à sobrecarga do mesmo e à insuficiência de cuidados para pessoas que poderiam ter tido um desfecho melhor. Muito foi veiculado na imprensa internacional, notadamente de notícias vindas da Itália, que foram utilizados marcos etários, eticamente muito discutíveis, para definir o acesso ou não à terapia intensiva.

Não é ético deixar de oferecer os serviços de saúde aos mais velhos

A velhice é heterogênea e por isso mesmo a idade sozinha não define a condição que uma pessoa tem de se recuperar frente a um problema grave de saúde. Por outro lado, em se tratando de uma situação crítica, de abrangência mundial, mais do que nunca é importante direcionar adequadamente os recursos disponíveis. Diante desse cenário, escolhas relativas a quem deveria ser ou não oferecido o parco recurso terapêutico das unidades de terapia intensiva, e principalmente a ventilação mecânica, precisaram ser feitas e, talvez, seja esse o maior drama enfrentado pelo serviços e profissionais de saúde. Essa decisão não deve se basear na idade.

Os desafios para o cuidado adequado das pessoas idosas são diversos e complexos

A necessidade de cuidados ultrapassa de longe as medidas terapêuticas invasivas. São necessários instrumentos para detecção precoce dos casos, precaução de contágio, cuidados sintomáticos e cuidados paliativos integrados aos cuidados clínicos. A população idosa também introduz outra peculiaridade: há pessoas que moram sozinhas, há idosos que moram com outros idosos, há idosos que moram com seus filhos e/ou netos e há idosos que moram em coletividade – em instituições de longa permanência para idosos (ILPI).

 

As ILPIs podem funcionar como locais de micro-epidemias, pois uma vez alguém contaminado, será difícil assegurar o isolamento necessário. No nosso meio, as ILPIs refletem a desigualdade social existente em diferentes cenários. Algumas que contam com equipamentos, recursos e equipes de cuidado próprias e outras que contam apenas com o SUS para atender às demandas em saúde.

Os profissionais, da linha de frente dos serviços de saúde, precisam ser apoiados por especialistas

Os profissionais de saúde que estão na linha de frente da atenção a estes idosos nas Unidades básicas de saúde (UBSs), nas Instituições de Longa permanência para idosos (ILPIs), nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e nos Serviços de Atenção Domiciliar (SAD), precisam ser apoiados, por especialistas, para a definição de proporcionalidade terapêutica com critério e ética e para o controle adequado dos sintomas desconfortáveis, nos momentos finais de vida, garantindo dignidade ao doente e sua família.

 

A maioria dos serviços de Cuidados Paliativos que existem hoje em Belo Horizonte são lotados em unidades hospitalares. Na rede de atenção domiciliar da Prefeitura de Belo Horizonte (SAD - BH) só possuímos uma equipe de cuidados paliativos, que presta atendimentos em cuidados paliativos para pacientes em condições de "desospitalizacao" e "desupalização", desde novembro de 2019.

Pretendemos contribuir para o cuidado de um grande contingente de pessoas

 Em Belo Horizonte, estima-se que a população de idosos (pessoas com 60 anos ou mais) seja de 407.501 pessoas (IBGE, 2020). Dessas pessoas, 232.276 (57,0%) têm entre 60 e 69 anos, 114.100 (28,0%) entre 70 e 79 anos e 61.125 (15,0%), 80 anos ou mais. O número de idosos maiores de 70 anos, SUS dependentes, em Belo Horizonte é 145.437 pessoas. Pensando em uma taxa de infectividade de 10% da população belo-horizontina, esperamos ter 14.543 pessoas de grupo doentes. Caso calculemos uma taxa de 50% de infectividade, esse número poderá ser 72.718. Usando por base informações disponíveis dos outros países que enfrentaram esse desafio antes de nós, definimos 10% o percentual de pessoas doentes que poderão precisar da atuação paliativa, seja para definição dos cuidados indicados, seja para auxílio no controle de sintomas. Sendo assim, estamos falando de um universo de 1.454 a 7.271 pessoas.

Quem é a Rede PaliAtivo BH?

Percebendo o enorme desafio da nossa população frente a esta pandemia, um grupo de médicos especialistas em Medicina Paliativa e/ou Geriatria de Belo Horizonte se organizou para oferecer cuidado especializado, por meio da tele-consultoria e de produção de material educativo em Medicina Paliativa, para os profissionais da linha de frente da assistência

Como se darão nossas ações?

Para a realização do nosso trabalho, elencamos 5 materiais educativos a serem elaborados, em formato de folder com fluxo de tomada de decisões e vídeo aulas de 5 minutos cada. Esses materiais contemplam os seguintes temas:

- Definição de proporcionalidade terapêutica para idosos no cenário da COVID-19

- Controle adequado dos principais sintomas desconfortáveis no cenário da COVID-19 - Decisão compartilhada e comunicação compassiva no cenário da COVID-19

- Sedação paliativa na COVID-19

- Estratégias especiais para as Instituições de longa permanência para idosos no cenário da COVID-19

A tele-consultoria será realizada através da estratégia de geo-referenciamento. A cidade de Belo Horizonte é composta por nove regionais, dentro das quais se concentram as unidades de assistência do SUS-BH (UBSs, UPASs, ILPIs e SADs). Cada uma dessas regionais, contará com 2 médicos especialistas, pelo menos. Através dessa consultoria, os médicos que assistem os pacientes nas unidades de saúde, terão todo o apoio técnico para tomada de decisões e acompanhamento de seus pacientes.

Você é um profissional da área da saúde e precisa da nossa ajuda?

Entre em contato pelo email redepaliativobh@gmail.com

Você gostaria de colaborar com esse projeto?

Entre em contato pelo email julianacicluz@gmail.com

Equipe Rede PaliAtivo BH

Dra Aline Fátima Alves Teixeira Pacheco - Especialização em Medicina Paliativa em andamento

Dra Amanda Pifano Soares Ferreira - Especialista Medicina Paliativa

Dra Ana Carolina Ferreira Brant Costa - Especialização em Medicina Paliativa em andamento

Dra Ana Luisa Rugani - Especialista em Geriatria e Medicina Paliativa

Dra Ana Paula Abranches - Especialista em Geriatria e Medicina Paliativa

Dr Anderson Barreto - Especialista em Geriatria e Medicina Paliativa

Dra Camila Duarte Araujo - Especialização em Medicina Paliativa em andamento

Dra Camila Nayara Lopes Valverde - Especialista em Medicina Paliativa

Dra Camila Oliveira Alcântara - Especialista em Geriatria e Medicina Paliativa

Dra Camila Rabelo Monteiro de Andrade - Especialista em Geriatria e Medicina Paliativa

Dra Cristiana Guimarães Paes Savoi - Especialista em Medicina Paliativa

Dra Daniela Charnizon - Especialista em Medicina Paliativa

Dra Diana Carvalho Ferreira - Especialista em Geriatria

Dr Estevão Alves Valle - Especialista em Geriatria

Dr Fabiano Moraes Pereira - Especialista em Geriatria e Medicina Paliativa

Dra Flávia Alves Dantas - Especialista em Medicina Paliativa

Dra Fernanda Silva Trindade Luz - Especialista em Geriatria e Medicina Paliativa

Dra Gabriela Casanova Martins dos Santos - Especialista em Medicina Paliativa

Dra Giselle Alene Monteiro Girodo - Especialização em Medicina Paliativa em andamento

Dr João Victor Meneghin - Especialista em Medicina Paliativa

Dra Juliana Elias Duarte - Especialista em Geriatria e Medicina Paliativa

Dra Karla Giacomin - Especialista em Geriatria Dra Laila Junqueira - Especialista em Geriatria

Dr Marco Tulio Gualberto Cintra - Especialista em Geriatria

Dra Mariana Brandão de Azevedo - Especialização em Medicina paliativa em andamento

Dra Marília Aguiar Araujo - Especialista em medicina intensiva e cuidados paliativos

Dr Munir Murad - Especialista em oncologia e Mestrado na área da Medicina Paliativa

Dra Neimy Ramos de Oliveira - Especialista em Medicina Paliativa

Dra Patrícia Veloso Facury Lasmar Ferrreira - Especialista em Medicina Paliativa

Dr Pedro Gibson Paraíso - Especialização em Medicina Paliativa em andamento

Dr Ramon Fernando Gual - Especialista em Geriatria

Dra Raquel Lunardi Rocha - Especialista em Medicina Paliativos

Dra Sarah Ananda - Especialista em Medicina Paliativa

Dra Tatiana Espindola - Especialista em Geriatria e Medicina Paliativa

Dra Terezinha Valéria - Especialista em Medicina Paliativa

Dra Valéria de Oliveira Mota Lamas - Especialista em Medicina Paliativa

Dr Vinicius Aragão Rocha - Especialista em Medicina Paliativa

Dr Vinicius Lisboa Carvalho - Especialização em Medicina Paliativa em andamento

Dra Fabiana Pires Maia Machado - Especialização em Medicina Paliativa em andamento

Conheça também os nossos Eixos clicando abaixo:
CONTATO

Av. João Pinheiro, 161 - Centro,

Belo Horizonte - MG, 30130-180

​​

(31) 3247.1616

contato@sotamig.org.br

Assine a nossa newsletter
  • Black Facebook Icon
  • Black Instagram Icon
  • Black YouTube Icon